E foi assim que toda a magia épica chegou ao fim. Tivémos tão perto do sonho, tão perto do céu...Durante dias, semanas, vivemos em constante festa, mostramos a beleza do nosso país, colamo-nos ao televisor a ver a bola passar e elevamos a nossa auto-estima a níveis nunca programados, quanto mais sonhados!
Fui contra o Euro 2004 e a sua realização no nosso pequenino Portugal, mas soube bem não nos ouvir a regalar os nossos defeitos e a nossa miudez e a auto-proclamar-nos os melhores, quando muitas vezes o somos, de facto.
A verdade é que explodimos dentro de nós próprios, passamos a não ligar ao que o vizinho do lado faz, ao que o ministro pensa e para onde vai, libertamo-nos de preconceitos, reaprendemos a ser simpáticos e hospitaleiros e passamos a exaltar a bandeira nacional, esse símbolo carregado de história, por vezes não muito bonita, mas a nossa história! E foi tão bonito ver as janelas, as varandas, as caras, a alma pintada com as cores, tal vez da bandeira, talvez do coração. Foi bonito ver as pessoas sem ter medo de dizer que gostavam, de Portugal sem serem atacadas, ou sentirem-se rebaixadas.
Há que agradecer ao Ronaldo, ao Ruizinhu, ao Figo e a todos os outros, pelos pulos que nos fizeram dar no sofá, pelas bebedeiras que apanhamos, pelos sustos, pela alegria respirada, pelo amor compartilhado.
O Euro deixou-nos muito debilitados financeiro e provavelmente não compensou económicamente e apesar de nao termos ganho, serviu para tantas outras coisas que talvez sejam o sinal de mundança na mentalidade do nosso país. Temos de acreditar em nós, termos força para acreditarmos em nós, que somos tão bons como os ingleses espanhois ou alemães, que temos coragem para o ser. Que o nosso primeiro ministro vai lá para fora gerir o orçamento comunitário porque é de facto bom naquilo que faz, naquilo que gere e da maneira que gere. Vamos todos ajudar Portugal a crescer e não tirar as bandeiras da nossa janela, fazer força para crescermos, ter coragem para fazer força. E sermos, n fim, como uma força que ninguém pode parar e fazer tudo com uma fome que ninguém pode matar, nunca nos saciando, tentando ser sempre mais e melhor.
Vamos fazer isso tudo e muito mais...juntos.
:D
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Thursday, July 08, 2004
Saturday, July 03, 2004
"Apetecia-me um Gelado", apetecia-me tanto um gelado, fugir contigo e nunca mais ter de te enfrentar naqueles sonhos que tantas vezes não são saudáveis, apenas porque tu apareces. Mas hoje só me apetece um gelado, frio, cremoso, repleto de calorias e de todas aquelas pequenas coisas que nos fazem mal, apenas porque sabem bem.
Hoje não me quero preocupar com o exame que ainda há-de vir, se os meus pais vão descobrir, se já sabem, se saberão o mundo que criei no meio da minha ilusão e desejo, se alguém é injusto ou arrogante comigo, ou se sempre conseguirei fazer alguma coisa pelo Mundo, como tantas vezes sonho.
Só isso. Só me apetecia sentar no sofá,e amar-me, a mim e ao gelado, ser egoísta e não partilhar com ninguém, ouvir uma música da ou da Nelly e deixar-me adormecer por todas aquelas pessoas que confiam e gostam de mim. E cada vez me surpreendo mais, tantas vezes pela negativa, outras pela positiva. São menos, mas são tão mais importantes. De repente alguma coisa boa acontece, somos premiados, glorificados e reconhecidos e de repente todo aquele esforço merece algum sentido, rumo ou destino.
Hoje foi um dia daqueles, surpreendesnte, em que acordamos com a maior dor de cabeça da nossa vida, porque o licor de xinês e o Baileys da noite anterior não foi devidamente absorvido e continua a dar sinal de vida, no sangue. E de repente tudo muda, tudo se inverte, a apatia dá lugar a alegria, esse nobre sentimento que nem todos conseguem sentir, que nem todos querem sentir. E acontece. A dor de cabeça já não existe, sentimo-nos bem, iguais, próprios, seguros e confiantes das nossas potencialidades, sentimo-nos parte de um grupo, de um todo. E sabe tão bem! A surpresa, a emoção, as palmas, os abraços, os sorrisos, as palavras, os gestos...
È tão bom sentirmo-nos bem com o q somos, com o que conseguimos ser, sabe tão gostarmos de viver, sabe tao bem a vida ter algum significado e rendimento, talvez compensação. Sabe tão bem sorrir, só sorrir.
Um gelado agora calharia bem, com muito chocolate, porque sou naturalmente guloso...porque estou feliz, muito! DEviamos ser todos felizes, deviamos fazer todos, os outros felizes, deviamos aprender a aprender a ser felizes. Deixar as tristezas, complicações e angústias de lado e ser de novo e sempre criança, grande ou pequena, não é importante. Ver as estrelas, apreciar a natureza, ouvir o mar confidente, dar um abraço aquele nosso amigo que sofre por dentro porque a namorada por quem fez tudo, o largou por outro, na pior altura, no pior momento. Vamos correr, e beber daquele sol que sorri apenas para nós e lembrar que as aulas só começam de novo em Setembro, perder-nos na noite e fazer discursos encorajadores e positivos.Vamo-nos largar de preconceitos e imaginar que somos perfeitos e dar a mão a toda a gente, vamo-nos respeitar, vamos fazer o que toda a gent quiser, sorrindo, amando, pisando todas as adversidades da vida, Vamos construi textos imaginativos plenos de resistÊnica À depressão e ouvir a Natalie a cantar "Butterflies, cut the stomach outand hand it over, butterflies, my heart will be the bridge that you walk over".
Afinal, Não queremos todos o mesmo?
Hoje não me quero preocupar com o exame que ainda há-de vir, se os meus pais vão descobrir, se já sabem, se saberão o mundo que criei no meio da minha ilusão e desejo, se alguém é injusto ou arrogante comigo, ou se sempre conseguirei fazer alguma coisa pelo Mundo, como tantas vezes sonho.
Só isso. Só me apetecia sentar no sofá,e amar-me, a mim e ao gelado, ser egoísta e não partilhar com ninguém, ouvir uma música da ou da Nelly e deixar-me adormecer por todas aquelas pessoas que confiam e gostam de mim. E cada vez me surpreendo mais, tantas vezes pela negativa, outras pela positiva. São menos, mas são tão mais importantes. De repente alguma coisa boa acontece, somos premiados, glorificados e reconhecidos e de repente todo aquele esforço merece algum sentido, rumo ou destino.
Hoje foi um dia daqueles, surpreendesnte, em que acordamos com a maior dor de cabeça da nossa vida, porque o licor de xinês e o Baileys da noite anterior não foi devidamente absorvido e continua a dar sinal de vida, no sangue. E de repente tudo muda, tudo se inverte, a apatia dá lugar a alegria, esse nobre sentimento que nem todos conseguem sentir, que nem todos querem sentir. E acontece. A dor de cabeça já não existe, sentimo-nos bem, iguais, próprios, seguros e confiantes das nossas potencialidades, sentimo-nos parte de um grupo, de um todo. E sabe tão bem! A surpresa, a emoção, as palmas, os abraços, os sorrisos, as palavras, os gestos...
È tão bom sentirmo-nos bem com o q somos, com o que conseguimos ser, sabe tão gostarmos de viver, sabe tao bem a vida ter algum significado e rendimento, talvez compensação. Sabe tão bem sorrir, só sorrir.
Um gelado agora calharia bem, com muito chocolate, porque sou naturalmente guloso...porque estou feliz, muito! DEviamos ser todos felizes, deviamos fazer todos, os outros felizes, deviamos aprender a aprender a ser felizes. Deixar as tristezas, complicações e angústias de lado e ser de novo e sempre criança, grande ou pequena, não é importante. Ver as estrelas, apreciar a natureza, ouvir o mar confidente, dar um abraço aquele nosso amigo que sofre por dentro porque a namorada por quem fez tudo, o largou por outro, na pior altura, no pior momento. Vamos correr, e beber daquele sol que sorri apenas para nós e lembrar que as aulas só começam de novo em Setembro, perder-nos na noite e fazer discursos encorajadores e positivos.Vamo-nos largar de preconceitos e imaginar que somos perfeitos e dar a mão a toda a gente, vamo-nos respeitar, vamos fazer o que toda a gent quiser, sorrindo, amando, pisando todas as adversidades da vida, Vamos construi textos imaginativos plenos de resistÊnica À depressão e ouvir a Natalie a cantar "Butterflies, cut the stomach outand hand it over, butterflies, my heart will be the bridge that you walk over".
Afinal, Não queremos todos o mesmo?
Tuesday, June 29, 2004
Que luz, que infíma música a embalar-me no desassossego dos meus sonhos que nunca se tornarão realidade. Apago o rádio, apago a luz, apago-me a mim. Tudo o resto é ´pó, tudo o resto sâo fronteiras entre mim e os outros que ainda não percebi se devem ser quebradas. O maor continua a guiar-me, através do sol, do azul, das tuas músicas sem sentido, da luz que me alcança e se apodera de mim, como se não eu fosse nada nem ninguém, alma solitária que nunca deixei de conseguir ser. Em breve completo mais uma etapa, em breve caio, levanto-me, subo e desço, mais um sentimento, uma vida, um sorriso, quem sabe o teu, perdido algures entre o egoísmo com que não te dás e as noites fugazes em que encontras cura para a tua incapacidade de sentires e seres sentida.
Escrevo para ti e escrevo para ti, como se nunca te tivesse conhecido, como se a tua Estrela nunca me tivesse guiado, embrerenhado neste sentimento que me continuam a dizer que é bonito e vale a pena ser vivido. Lá fora, espera-me um mundo que enfrento, com cautela, medo e observação, com um sorriso na alma que me denuncia, com um peso nas costas. Vivo porque tenho de viver, sobrevivo, porque arranjo forças, por aí, em alguém que giosta de mim e não se importa se as casas que desenho são grandes, pequenas, que não se importa se gosto de molhar a bolacha no leite ou rir ou cantar ou ser teu logo pela manhã.
A História é simples, a História é banal, a minha estória +e verdadeira, porque não me liberto dela. poruqe nunca te tive, entre mim, nos meus braços, entre o meu peito, sem os risos dos incautos, sem a inveja dos que se olham ao espelho e não veêm metade do que sonham. E que serei eu no meio deste círculo que não gira, que não permanece, que apenas se absorve na esperança de vibrar, de contentamento, de amor.
Queria ser sempre teu e tu minha, pegar na minha mota e fazer contigo o que ninguém ,nem tu, fizeram comigo, mergulhar no teu sangue, afogar-me nos teus olhos, mentir-te bem alto. Queria ser luz, tua. Fogo, teu. Amor, só amor. Conhecê-lo, cheirá-lo, vê-lo, falar-lhe todas as manhãs, amar-te.
Que luz, que infíma luz , que me arrasa, me acende e me apaga, para no fim me deixar só, vagabundo. Queria ser vagabundo contigo, dar-te a mão e nunca te perder, viver e adormecer, assim, pequeno e frágil, por entre os meus arco-íris de infância. Queria ser teu, queria tanto ser teu...Lembro-me de todas as vezes em que te perdi e fugi, de ti,assim, loira, ruiva, morena entre uma saia da moda e um cigarro de uma marca qualquer.
Ao pé de ti, nada era romântico, bonito ou supérfulo. A vida era rasteira, fria, fácil e desprovida, de tudo e de todos. Não era mentira, era tudo ali ao prazer da carne, do sexo, da cama e da penetração, fugaz, limpa, como se os nossos corpos não se pudessem destruir e eu fosse ali, naquele momento, cinco vezes mais do que quando te amaei, numa praia qualquer, a minha Praia, ao som de uma qualquewr música irritante. E eu ia ao som dela, de ti, "ès o rapaz que nasceu entre a minha estrela", cantavas-me, e era eu que te percorria, com as mãos, com prazer, com o coração, com os olhos. Vazios, por nunca mais te terem visto, felizes por não se cegarem com a imagem da tua memória, amantes de tudo o que tenha o teu toque, fugaz e impávido.
Escrevo para que tu ninca voltes, sem eu tar acordado, levar-te para a cama e nunca mais acordar, sem ti, sem mim. Para que a fala assuma o seu papel com coragem, neste mundo de "competências e técnicas", onde tudo parece fácil demais, e Às vezes até é.
Miguel Praia
Escrevo para ti e escrevo para ti, como se nunca te tivesse conhecido, como se a tua Estrela nunca me tivesse guiado, embrerenhado neste sentimento que me continuam a dizer que é bonito e vale a pena ser vivido. Lá fora, espera-me um mundo que enfrento, com cautela, medo e observação, com um sorriso na alma que me denuncia, com um peso nas costas. Vivo porque tenho de viver, sobrevivo, porque arranjo forças, por aí, em alguém que giosta de mim e não se importa se as casas que desenho são grandes, pequenas, que não se importa se gosto de molhar a bolacha no leite ou rir ou cantar ou ser teu logo pela manhã.
A História é simples, a História é banal, a minha estória +e verdadeira, porque não me liberto dela. poruqe nunca te tive, entre mim, nos meus braços, entre o meu peito, sem os risos dos incautos, sem a inveja dos que se olham ao espelho e não veêm metade do que sonham. E que serei eu no meio deste círculo que não gira, que não permanece, que apenas se absorve na esperança de vibrar, de contentamento, de amor.
Queria ser sempre teu e tu minha, pegar na minha mota e fazer contigo o que ninguém ,nem tu, fizeram comigo, mergulhar no teu sangue, afogar-me nos teus olhos, mentir-te bem alto. Queria ser luz, tua. Fogo, teu. Amor, só amor. Conhecê-lo, cheirá-lo, vê-lo, falar-lhe todas as manhãs, amar-te.
Que luz, que infíma luz , que me arrasa, me acende e me apaga, para no fim me deixar só, vagabundo. Queria ser vagabundo contigo, dar-te a mão e nunca te perder, viver e adormecer, assim, pequeno e frágil, por entre os meus arco-íris de infância. Queria ser teu, queria tanto ser teu...Lembro-me de todas as vezes em que te perdi e fugi, de ti,assim, loira, ruiva, morena entre uma saia da moda e um cigarro de uma marca qualquer.
Ao pé de ti, nada era romântico, bonito ou supérfulo. A vida era rasteira, fria, fácil e desprovida, de tudo e de todos. Não era mentira, era tudo ali ao prazer da carne, do sexo, da cama e da penetração, fugaz, limpa, como se os nossos corpos não se pudessem destruir e eu fosse ali, naquele momento, cinco vezes mais do que quando te amaei, numa praia qualquer, a minha Praia, ao som de uma qualquewr música irritante. E eu ia ao som dela, de ti, "ès o rapaz que nasceu entre a minha estrela", cantavas-me, e era eu que te percorria, com as mãos, com prazer, com o coração, com os olhos. Vazios, por nunca mais te terem visto, felizes por não se cegarem com a imagem da tua memória, amantes de tudo o que tenha o teu toque, fugaz e impávido.
Escrevo para que tu ninca voltes, sem eu tar acordado, levar-te para a cama e nunca mais acordar, sem ti, sem mim. Para que a fala assuma o seu papel com coragem, neste mundo de "competências e técnicas", onde tudo parece fácil demais, e Às vezes até é.
Miguel Praia
Friday, June 18, 2004
Imagem quase perfeita
Aqui no meio desta sala cercada por livros, alguns antigos outro recentes a que chamam biblioteca, mergulhada na imensidão de pessoas que ainda não desistiram de procurar o conhecimento em algo mais palpável do que meras palavras soltas, perdidas. Lembro-me de quando te olhei pela primeira vez e foste logo ali, um desses livros que hoje vasculham e que parecem de difícil compreensão, mas que não passam de escrita pop, demasidadamente leve para ser levada a sério, idenependentemente de ser esse o seu propósito ou não.
Gostava de ter vivido mais entre a areia da tua praia, mas o meu coração sempre esteve preenchido por outro alguém que não tu. A tua sensibilidade sempre foi demais para mim, fria como sempre gostei de ser, rodeada pela minha casca, inquebrável e cheia de banalidades e falsos sorrisos.
Como é que se explica o fim de algo que não teve começo, princípio ou situação? Amar-te sempre foi demais para mim, sempre exigiu demais de mim, porque sou invejosa e edonista demais para me conseguir submeter a uma beleza superior a mim, a um ser que por ser tão delicado me metia pena, que por ser tão popular me metia inveja. E eu não queria amar-te e continuo a não querer amar-te e se és tu que me dás a inspiração para cantar aquelas músicas que toda a gente acha profundas demais para serem escritas, eu quero ser o nada, como fui sem ti.
Não há justificações plenas de romantismos como sempre quiseste, como sempre desesjaste ou então fui eu que te interpretei erradamente e agora poderiamos ser felizes, tu a veres os meus concertos, eu a espiar os teus desenhos de casas, casinhas e palácios para gente claustrofóbica que acha que quanto maior for a sua singela habitação, maior será a sua vontade de prevalecer sobre as viscitudes da vida.
Naquela noite em que fui tua, em que mergulhei no teu mar e tu foste a minha estrela que me guiou por entre a noite fria, redescobri-me e senti-me nova e pura outra vez, apenas por me teres tocado, apenas por ter tocado da tua areia sem ela ter escoado por entre os meus dedos, apenas porque não havia ninguém para julgar quem era mais belo ou para contar todas as traquinices que eu fazia quando era pequena e tinha ar de maria rapaz. Por entre o meu peito ainda te sinto, e quando ele me toca é a ti que eu sorrio, porque as mãos dele não são inocentes e ele transborda prazer carnal e é disso que eu preciso para não me tornar suficientemente fraca e ser vergada pelos problemas da vida. É dos abraços vazios dele que eu preciso para não voltar a achar que a vida há-de ser sempre como nós queremos, é do olhar distante dele, é o sorriso improvavél dele que me faz ser dura o suficinte para conseguir partilhar os bastidores com alguém que a determinada altura me humilha, apenas porque a minha canção parva, teve mais sucesso do que a dela.
Nunca mais esqueci o teu sorriso rasgado, o teu olhar penetrante, a maneira como ao pé de ti ficava pequena e diminuta prante a minha própria fama, como me achava suja, fraca, impotente, porque tu conseguires ser tudo aquilo que eu achava que não se podia ser. Nunca mais me esqueci do teu corpo ondulante, das tuas dunas, da tua respiração, da praia, a tua Praia.
O amor nunca foi uma razão para mim,solta, foragida de mim própria a tentar encontrar uma pergunta, quando não havia solução. Quando este sentimento deixar de correr, vou deixar de escrever, também, e passarei a cantar as músicas de quem nunca sentiu o que tu sentiste por mim e que eu desejei também sentir e não consegui."És o rapaz que nasceu entre a minha estrela" cantei-te uma vez e continuei assim, mergulhada no meu sentimento porque tu foste sempre a coisa mais real que eu conheci, num local tão fundo, tão escuro, tão estupidamente real. Mas deixei-te ir embora e tudo o resto já não tem mais lugar. Nem o amor, nem a paixão, nem o sexo. Guardei o melhor de ti, numa imagem quase perfeita e sonho assim contigo, como se isso preenchesse o teu lugar e nos meus sonhos tu levas-me e eu sou feliz e ninguém mais me julga nem me acusa de ser uma alma que não sabe cantar, apenas interpretar. Quis tanto deixar-me ir contigo e ver tudo aquilo, que eu sei que era muito, que tinhas para me oferecer, para me dar, para me tornar. Ainda tenho esperança que te vá encontrar outra vez, perdido na tua própria praia e eu consiga ultrapassar-me a mim mesma e o medo de experimentar algo que nunca tive, apenas provei, ceda e eu seja novamente tua, como nunca cheguei a ser.
Maria Estrela
Aqui no meio desta sala cercada por livros, alguns antigos outro recentes a que chamam biblioteca, mergulhada na imensidão de pessoas que ainda não desistiram de procurar o conhecimento em algo mais palpável do que meras palavras soltas, perdidas. Lembro-me de quando te olhei pela primeira vez e foste logo ali, um desses livros que hoje vasculham e que parecem de difícil compreensão, mas que não passam de escrita pop, demasidadamente leve para ser levada a sério, idenependentemente de ser esse o seu propósito ou não.
Gostava de ter vivido mais entre a areia da tua praia, mas o meu coração sempre esteve preenchido por outro alguém que não tu. A tua sensibilidade sempre foi demais para mim, fria como sempre gostei de ser, rodeada pela minha casca, inquebrável e cheia de banalidades e falsos sorrisos.
Como é que se explica o fim de algo que não teve começo, princípio ou situação? Amar-te sempre foi demais para mim, sempre exigiu demais de mim, porque sou invejosa e edonista demais para me conseguir submeter a uma beleza superior a mim, a um ser que por ser tão delicado me metia pena, que por ser tão popular me metia inveja. E eu não queria amar-te e continuo a não querer amar-te e se és tu que me dás a inspiração para cantar aquelas músicas que toda a gente acha profundas demais para serem escritas, eu quero ser o nada, como fui sem ti.
Não há justificações plenas de romantismos como sempre quiseste, como sempre desesjaste ou então fui eu que te interpretei erradamente e agora poderiamos ser felizes, tu a veres os meus concertos, eu a espiar os teus desenhos de casas, casinhas e palácios para gente claustrofóbica que acha que quanto maior for a sua singela habitação, maior será a sua vontade de prevalecer sobre as viscitudes da vida.
Naquela noite em que fui tua, em que mergulhei no teu mar e tu foste a minha estrela que me guiou por entre a noite fria, redescobri-me e senti-me nova e pura outra vez, apenas por me teres tocado, apenas por ter tocado da tua areia sem ela ter escoado por entre os meus dedos, apenas porque não havia ninguém para julgar quem era mais belo ou para contar todas as traquinices que eu fazia quando era pequena e tinha ar de maria rapaz. Por entre o meu peito ainda te sinto, e quando ele me toca é a ti que eu sorrio, porque as mãos dele não são inocentes e ele transborda prazer carnal e é disso que eu preciso para não me tornar suficientemente fraca e ser vergada pelos problemas da vida. É dos abraços vazios dele que eu preciso para não voltar a achar que a vida há-de ser sempre como nós queremos, é do olhar distante dele, é o sorriso improvavél dele que me faz ser dura o suficinte para conseguir partilhar os bastidores com alguém que a determinada altura me humilha, apenas porque a minha canção parva, teve mais sucesso do que a dela.
Nunca mais esqueci o teu sorriso rasgado, o teu olhar penetrante, a maneira como ao pé de ti ficava pequena e diminuta prante a minha própria fama, como me achava suja, fraca, impotente, porque tu conseguires ser tudo aquilo que eu achava que não se podia ser. Nunca mais me esqueci do teu corpo ondulante, das tuas dunas, da tua respiração, da praia, a tua Praia.
O amor nunca foi uma razão para mim,solta, foragida de mim própria a tentar encontrar uma pergunta, quando não havia solução. Quando este sentimento deixar de correr, vou deixar de escrever, também, e passarei a cantar as músicas de quem nunca sentiu o que tu sentiste por mim e que eu desejei também sentir e não consegui."És o rapaz que nasceu entre a minha estrela" cantei-te uma vez e continuei assim, mergulhada no meu sentimento porque tu foste sempre a coisa mais real que eu conheci, num local tão fundo, tão escuro, tão estupidamente real. Mas deixei-te ir embora e tudo o resto já não tem mais lugar. Nem o amor, nem a paixão, nem o sexo. Guardei o melhor de ti, numa imagem quase perfeita e sonho assim contigo, como se isso preenchesse o teu lugar e nos meus sonhos tu levas-me e eu sou feliz e ninguém mais me julga nem me acusa de ser uma alma que não sabe cantar, apenas interpretar. Quis tanto deixar-me ir contigo e ver tudo aquilo, que eu sei que era muito, que tinhas para me oferecer, para me dar, para me tornar. Ainda tenho esperança que te vá encontrar outra vez, perdido na tua própria praia e eu consiga ultrapassar-me a mim mesma e o medo de experimentar algo que nunca tive, apenas provei, ceda e eu seja novamente tua, como nunca cheguei a ser.
Maria Estrela
Sunday, June 13, 2004
Será que somos importantes para alguém? Será que quando choramos alguem sente a falta do nosso riso, será que quando não aparecemos ao encontro combinado, alguém desespera pelo nosso regresso, será que alguém sente o nosso desespero quando nos sentimos emberenhados por entre os vales do nossos desespero?
Não nos damos conta que uma palavra nossa, pode fazer o dia mais feliz daquela pessoa que olha para nós com olhos esbugalhados de tanta admiração, compaixão e porque não, de amor. Não nos damos conta do que vale um olá, um simples e singelo olá para fazer com que os sonhos dessa pessoa se tornem mais reais, apenas por saberem que contam connosco.
Devemos tentar tornar as outras pessoas o mais feizes possíveis,para que a nossa existência assuma algum significado e não se perca entre os tecidos da nossa era.
Às vezes esqueco-me das pessosas, apenas porque dou lugar, tempo e momento a outras, nem sei bem porquÊ, Acredito na mudança como fonte de evolução e resistência, mas nunca quis deixar ninguém para trás...a vida encarrega-se facilmente desse papel, atruibuido sem qualquer louvor ou mérito.
De vez em quando sonho e nalguns desses sonhos,Às vezes acordado às vezes a dormir, sonho com uma cidade em que as pessoas se riem por estarem vivas, por sentirem a terra por entre as mãos, quando a escavam, por saltarem por entre os obstáculos próprios da vida e por correrem mais depressa de que o medo, já factor inerente de qualquer ser humano. Nesse sonho, eu tento e consigo com que toda a gente se sinta bem consigo prórpia e depois acord, feliz e contente porque a minha missão foi cumprida. Será achar mais de mim, será muito egocêntrico assumir tal papel perante alguém, perante o mundo? De qualquer maneira, está tudo acabado, porque na vida real eu nunca cumpro o meu papel, acabando eu por ficar na fossa da minha própria insgnificância.
Só queria que eu, tu, nós fossemos felizes, sem guerras ou desamores,ódios ou falsos ciúmes...só queria ser feliz.
...só queria ser feliz e consegui-o ser, masi uma vez. Sim, esta noite também o fui, mas o alcóol ajudou, os elogios também ajudaram, mas houve um dia em que eu fui feliz apenas porque existi, porque vivi aquele momento. Por entre a música e a dança eu já era praticamente "Like A Bird", perdido a "counting the stars" apaxaixonado apenas por estar a "try" outra vez...Foi um momento sublime, em que eu não me importei com ninguém, nem comigo mesmo, nem com as crianças que morrem em Àfrica, todos os dias, a todas as horas, só porque não têm um mísero pão para comer, sim aquele que nós rejeitamos quando já está no armário há um dia...O prazer foi enorme, a alegria foi perfeita e foi bom saber que alguém se dedica tanto e que "HAja o que houver" tu vais estar sempre aqui...obrigado Nelly Furtado, és como uma Força que ninguém pode parar, obrigado por me relembrares coisas tao simples como "This lIfe is to short to live it just 4 u"*.
Não nos damos conta que uma palavra nossa, pode fazer o dia mais feliz daquela pessoa que olha para nós com olhos esbugalhados de tanta admiração, compaixão e porque não, de amor. Não nos damos conta do que vale um olá, um simples e singelo olá para fazer com que os sonhos dessa pessoa se tornem mais reais, apenas por saberem que contam connosco.
Devemos tentar tornar as outras pessoas o mais feizes possíveis,para que a nossa existência assuma algum significado e não se perca entre os tecidos da nossa era.
Às vezes esqueco-me das pessosas, apenas porque dou lugar, tempo e momento a outras, nem sei bem porquÊ, Acredito na mudança como fonte de evolução e resistência, mas nunca quis deixar ninguém para trás...a vida encarrega-se facilmente desse papel, atruibuido sem qualquer louvor ou mérito.
De vez em quando sonho e nalguns desses sonhos,Às vezes acordado às vezes a dormir, sonho com uma cidade em que as pessoas se riem por estarem vivas, por sentirem a terra por entre as mãos, quando a escavam, por saltarem por entre os obstáculos próprios da vida e por correrem mais depressa de que o medo, já factor inerente de qualquer ser humano. Nesse sonho, eu tento e consigo com que toda a gente se sinta bem consigo prórpia e depois acord, feliz e contente porque a minha missão foi cumprida. Será achar mais de mim, será muito egocêntrico assumir tal papel perante alguém, perante o mundo? De qualquer maneira, está tudo acabado, porque na vida real eu nunca cumpro o meu papel, acabando eu por ficar na fossa da minha própria insgnificância.
Só queria que eu, tu, nós fossemos felizes, sem guerras ou desamores,ódios ou falsos ciúmes...só queria ser feliz.
...só queria ser feliz e consegui-o ser, masi uma vez. Sim, esta noite também o fui, mas o alcóol ajudou, os elogios também ajudaram, mas houve um dia em que eu fui feliz apenas porque existi, porque vivi aquele momento. Por entre a música e a dança eu já era praticamente "Like A Bird", perdido a "counting the stars" apaxaixonado apenas por estar a "try" outra vez...Foi um momento sublime, em que eu não me importei com ninguém, nem comigo mesmo, nem com as crianças que morrem em Àfrica, todos os dias, a todas as horas, só porque não têm um mísero pão para comer, sim aquele que nós rejeitamos quando já está no armário há um dia...O prazer foi enorme, a alegria foi perfeita e foi bom saber que alguém se dedica tanto e que "HAja o que houver" tu vais estar sempre aqui...obrigado Nelly Furtado, és como uma Força que ninguém pode parar, obrigado por me relembrares coisas tao simples como "This lIfe is to short to live it just 4 u"*.
Monday, June 07, 2004
Pensar que me ias dar tudo aquilo que eu sempre sonhei que me desses, pensar que ainda penso que existe alguém, por aí, pronta a me dar tudo aquilo que me puder e tiver disposta a dar. Pensar que te vi, assim, pura e escondida entre o teu medo de me ver e de me sentir. Entre a tua Ânsia de me buscar, alcançar e de te ter só para mim. Já não escrevo para ti, mas por mim, para que as mãos possam responder a tudo aquilo que o teu coração tem a ilustre técnica de esconder.
Foram tantas as vezes em que sonhei que te tive e foram tantas as vezes que me fugiste. O amor não tem preço, nem idade, mas o meu tinha-te a ti, materialização do meu desejo, capaz de virar este mundo e o outro do avesso, só para conseguir viver este sentimento que eu achei que ambos vivéssemos. Agora vivo sozinho, porque alguém, como tu, não quis mais provar do sabor da minha vida, nem desejar frente ao espelho aquilo que não se pode ser, mas que todos nos queremos tornar.
E foram dias, ontem hoje e amnanhã, a fugir de ti, até que fui forçado a encontrar-te entre um copo pousado e um MaRtini Metz. Quando penso em ti, penso nas opurtunidades que poderiamos ter criado juntos, saltar por cima das adversidades, ver o nascer do sol juntos e morrer noutro planeta. Poderiamos ter sido amantes e amarmo-nos meses, numa cabana à beira do rio, sem ninguém saber, sem ninguém sentir, sem ninguém intervir.
O que fazemos com o que resta? Eu quero fazer muita coisa, por mim e por quem há-de vir, porque tu não passas, e passas bem, de um encontro estranho, fugaz e alicerçado em falsas esperanças que ambos fomos criando, para que no fim o tudo fosse nada. Só te queria ter amado...mais.
Foram tantas as vezes em que sonhei que te tive e foram tantas as vezes que me fugiste. O amor não tem preço, nem idade, mas o meu tinha-te a ti, materialização do meu desejo, capaz de virar este mundo e o outro do avesso, só para conseguir viver este sentimento que eu achei que ambos vivéssemos. Agora vivo sozinho, porque alguém, como tu, não quis mais provar do sabor da minha vida, nem desejar frente ao espelho aquilo que não se pode ser, mas que todos nos queremos tornar.
E foram dias, ontem hoje e amnanhã, a fugir de ti, até que fui forçado a encontrar-te entre um copo pousado e um MaRtini Metz. Quando penso em ti, penso nas opurtunidades que poderiamos ter criado juntos, saltar por cima das adversidades, ver o nascer do sol juntos e morrer noutro planeta. Poderiamos ter sido amantes e amarmo-nos meses, numa cabana à beira do rio, sem ninguém saber, sem ninguém sentir, sem ninguém intervir.
O que fazemos com o que resta? Eu quero fazer muita coisa, por mim e por quem há-de vir, porque tu não passas, e passas bem, de um encontro estranho, fugaz e alicerçado em falsas esperanças que ambos fomos criando, para que no fim o tudo fosse nada. Só te queria ter amado...mais.
Saturday, May 22, 2004
Não sei porque é que ainda não te esqueci, porque´e que fazes parte das minhas memórias como se ainda nada te tivesse superado, como se isso fosse impossível.Depois de ti, foi muito difícil voltar a ver a realidade com os olhos de uma criança a quem lhe tinham tirado o mundo e enfrentar tudo outra vez, mas desta vez sozinho. Entreguei-me a quem pude e a quem ainda não esqueci, mas ninguém me agarrou, porque ninguém me amou. Apenas consumiram o meu corpo, como se eu apenas fosse carnal e nunca algo de sentimental.
Hoje, desisti de encontrar alguém perfeito com quem cometesse todas aquelas loucuras com as quais sonho en~quanto estudo. Acabaram-se as tentativas frustradas de tentar encontrar alguém, porque eu sei, eu sinto, que quando chegar o momento eu vou saber reconhecê-la por detrás do manto de ignorância de quem me rodeia e no qual me tentam mergulhar.
O sol pode ter desaparecido, mas a luz que brilha em mim e me guia ainda não se apagou. continuará ligada e aberta para todos aqueles que queiram e gostem de sentir a vida, mesmo quando ela não existe. Eu vou estar cá, sempre e quem gostar de mim, sabe onde me encontrar, entre uma música da Nelly e um episódio de 7 palmos de terra. Estou em constante mutação e embora isto pareça um paradoxo, nunca mudo. Não há realidade por detrás do sonho, certo?
Hoje, desisti de encontrar alguém perfeito com quem cometesse todas aquelas loucuras com as quais sonho en~quanto estudo. Acabaram-se as tentativas frustradas de tentar encontrar alguém, porque eu sei, eu sinto, que quando chegar o momento eu vou saber reconhecê-la por detrás do manto de ignorância de quem me rodeia e no qual me tentam mergulhar.
O sol pode ter desaparecido, mas a luz que brilha em mim e me guia ainda não se apagou. continuará ligada e aberta para todos aqueles que queiram e gostem de sentir a vida, mesmo quando ela não existe. Eu vou estar cá, sempre e quem gostar de mim, sabe onde me encontrar, entre uma música da Nelly e um episódio de 7 palmos de terra. Estou em constante mutação e embora isto pareça um paradoxo, nunca mudo. Não há realidade por detrás do sonho, certo?
Tuesday, May 18, 2004
Corro, fujo, não tenho razões para estar triste. Estar triste porquê? Porque as pessoas que estão à minha volta não se entendem?Porque a nElly Furtado não tem o sucesso que merecia?Porque não amei quem devia?
Mas não consigo estar triste e por isso corro e fujo, sempre, outra vez, porque sei que te tenho a ti, a ti e a ti, sempre à minha volta, sempre à minha espera..tive a sorte de ter encontrado muita gente. Gente boa e gente má. A boa continua comigo e continuará sempre e para sempre. A má não existe mais. São apenas partículas de uma ilusão que nunca teve alicerces, nem realidade. São móveis de uma casa, cobertos pelo pó, efémeros como os poemas de Eugénio de Andrade, mas nunca esquecidos, para que o futuro se advinhe risonho, porque a lição nunca é totalmente aprendida, mas nunca é esquecida.
Não tenho nada para escrever porque só me vem a inspiração quando me sinto deprimido o suficiente para guardar tudo para um teclado e um ecrã. Simplesmente porque ele não fala, não sente e quando se comete algum erro, apaga-se facilmente. Que não se apague a minha alegria, tão facilmente, Cause this life is to short to live it just for u.
Mas não consigo estar triste e por isso corro e fujo, sempre, outra vez, porque sei que te tenho a ti, a ti e a ti, sempre à minha volta, sempre à minha espera..tive a sorte de ter encontrado muita gente. Gente boa e gente má. A boa continua comigo e continuará sempre e para sempre. A má não existe mais. São apenas partículas de uma ilusão que nunca teve alicerces, nem realidade. São móveis de uma casa, cobertos pelo pó, efémeros como os poemas de Eugénio de Andrade, mas nunca esquecidos, para que o futuro se advinhe risonho, porque a lição nunca é totalmente aprendida, mas nunca é esquecida.
Não tenho nada para escrever porque só me vem a inspiração quando me sinto deprimido o suficiente para guardar tudo para um teclado e um ecrã. Simplesmente porque ele não fala, não sente e quando se comete algum erro, apaga-se facilmente. Que não se apague a minha alegria, tão facilmente, Cause this life is to short to live it just for u.
Sunday, May 16, 2004
Tu que vagueias de noite sem rumo ou direcção, que marchas contra o tempo sem nunca olhares para trás, que és forte e me prometes um lugar entre a corrente que tenta arrastar-me, que me protege de todos e apenas de aqueles que me tentam afogar com palavras ditas à pressa e risos despercebidos e inúteis.
Dizem que não posso empregar adjectivos às palavras, dizem que implemento conceitos, dizem muita coisa. O teclado corre por cima da minha mente, que se arrasta já a altas horas.
Lá fora tudo brilha. Há uma beta que acaba de dar o primeiro beijo de muitos, no gajo pelo qual chora todas as noites e que ainda a vai tesrpassar com uma qualquer, muitas vezes, só para que ela continue a ter motivo parar chorar, há um homem que veste um vestido vermelho e quando as luzes brilham já é a Madonna e sente-se ali mesmo concretizada, porque a felicidade é passageira e ele sabe-o, por isso dança, para trás e para a frente, "Just Like a Vigin", sempre na esperança de ser reconhecido e não conhecido ao ponto de o filho o ver na capa de uma dessas revistas com pouca tiragem e que ninguém compra, com uma cabeleira loira. Hà ainda uma mãe. Uma qualquer que ri, satisfeita, a ver o "Chocolate Com Pimenta", enquanto o filho acalma a sua dor com o chizato das aulas de Educação Visual.
Tu que não te apercebes disto e de me dás a mão quando o absinto já sente por mim, que grita comigo apenas porque sou parvo o suficiente para acreditar que toda a gente consegue ser boa, que me abres o coração quando eu acredito que todos merecemos uma hipótese, tu que gostas do que eu sou e não do que tento ser, tu que me sentes e não me deixas ficar para trás, mesmo quando digo que quero e fujo.
Não me percas. Leva-me contigo e faz-me continuar a ser mais e sempre melhor, a teu lado, para que possa ser também e por várias vezes, Cavaleiro Andante e não olhar para trás e recordar todas aquelas coisas más.
Tu que não conheces a prodidão da vida, que bebes como se fosse a primeira da última gota, que me ouve quando já a minha alma pede para me calar, que me sente e não me mente, que fica comigo e enfrenta tudo e de vez em quando tdos, apenas por mim, não me percas. Faz-me acreditar que as hipóteses são pa todas e pa nenhuns e que eu ainda faço parte do todos, faz-me buscar o melhor de mim para que eu possa ver o melhor de ti, faz-me cantar todas as manhãs quando apenas quiser ouvir o barulho pleno do motor do Fiat Uno a chegar, reparar naquele riso hipócrita algures no Bar e na professora que nos julga mimados apenas porque andou numa Universidade Estatal.
Tu que vives muitas vezes para mim, que jantas em minha casa, que já partilhou comigo o mesmo acordar, vezes sem conta, que me abraça quando tudo vai correr bem e me impede quando tudo corre mal. Que me alimenta a espeança do amor impossível, da vida impossível, do choro impossível, nesta vida impossível, não me percas, porque eu não largarei a mão, poderei apenas dar a outra mão a alguém que ma estenda, também, mas ficarás sempre aqui, do meu lado esquerdo, que é onde ficam todos aqueles que me desiludiram, mas souberam continuar a desiludir-me com uma nova gargalhada, com um novo abraço, com um novo aviso, com um novo olhar.
Dizem que a escrita revela tudo aquilo que sentimos.Eu digo que apenas revela parte de mim, porque a outra, ainda nem eu a descobri, mas sei que existe, algures. O meu texto dá voltas, fix--se em todos os pontos, sem se centrar num único aspecto, porque a vida não é, nem pode ser simplista. O teclado, afinal é lento, o corpo só quer dançaqr, a mente só quer descansar.
tu que vagueias por aí, sem nunca te esqueceres, entras em casa porque te dei a chave que nunca te pertenceu, que me impedes de romantizar a vida, porque ela é negra e preversa, que vasculhas no meu frigorífico e nas minha s torrradas, cura para a tua fome de amor, tu que me queres na cama a recitar poemas e a cantar uma música qualquer Nelly Furtado, tu que me levas a passear e me fazes esquecer que o vento corta a minha mão, tu que não tens vergonha de seres o que és, apenas porque eu sou o que posso ser. Tu que te preocupas e me ofereces protecção para todas as doenças, ou quase todas e em buscas em todas as caras um novo TU!
Sim, tu que me ajudas, que me dizes quando erro, e por vezes quando acerto, que me trazes presentes do Brasil e me deixas sozinho numa dessas noites da queima e fazes com que leve tesouradas apenas por olhar para ti. Tu que estás aqui e aqui ficarás, nunca me percas, porque eu nunca te perdi e jamais o conseguirei fazer.*
Dizem que não posso empregar adjectivos às palavras, dizem que implemento conceitos, dizem muita coisa. O teclado corre por cima da minha mente, que se arrasta já a altas horas.
Lá fora tudo brilha. Há uma beta que acaba de dar o primeiro beijo de muitos, no gajo pelo qual chora todas as noites e que ainda a vai tesrpassar com uma qualquer, muitas vezes, só para que ela continue a ter motivo parar chorar, há um homem que veste um vestido vermelho e quando as luzes brilham já é a Madonna e sente-se ali mesmo concretizada, porque a felicidade é passageira e ele sabe-o, por isso dança, para trás e para a frente, "Just Like a Vigin", sempre na esperança de ser reconhecido e não conhecido ao ponto de o filho o ver na capa de uma dessas revistas com pouca tiragem e que ninguém compra, com uma cabeleira loira. Hà ainda uma mãe. Uma qualquer que ri, satisfeita, a ver o "Chocolate Com Pimenta", enquanto o filho acalma a sua dor com o chizato das aulas de Educação Visual.
Tu que não te apercebes disto e de me dás a mão quando o absinto já sente por mim, que grita comigo apenas porque sou parvo o suficiente para acreditar que toda a gente consegue ser boa, que me abres o coração quando eu acredito que todos merecemos uma hipótese, tu que gostas do que eu sou e não do que tento ser, tu que me sentes e não me deixas ficar para trás, mesmo quando digo que quero e fujo.
Não me percas. Leva-me contigo e faz-me continuar a ser mais e sempre melhor, a teu lado, para que possa ser também e por várias vezes, Cavaleiro Andante e não olhar para trás e recordar todas aquelas coisas más.
Tu que não conheces a prodidão da vida, que bebes como se fosse a primeira da última gota, que me ouve quando já a minha alma pede para me calar, que me sente e não me mente, que fica comigo e enfrenta tudo e de vez em quando tdos, apenas por mim, não me percas. Faz-me acreditar que as hipóteses são pa todas e pa nenhuns e que eu ainda faço parte do todos, faz-me buscar o melhor de mim para que eu possa ver o melhor de ti, faz-me cantar todas as manhãs quando apenas quiser ouvir o barulho pleno do motor do Fiat Uno a chegar, reparar naquele riso hipócrita algures no Bar e na professora que nos julga mimados apenas porque andou numa Universidade Estatal.
Tu que vives muitas vezes para mim, que jantas em minha casa, que já partilhou comigo o mesmo acordar, vezes sem conta, que me abraça quando tudo vai correr bem e me impede quando tudo corre mal. Que me alimenta a espeança do amor impossível, da vida impossível, do choro impossível, nesta vida impossível, não me percas, porque eu não largarei a mão, poderei apenas dar a outra mão a alguém que ma estenda, também, mas ficarás sempre aqui, do meu lado esquerdo, que é onde ficam todos aqueles que me desiludiram, mas souberam continuar a desiludir-me com uma nova gargalhada, com um novo abraço, com um novo aviso, com um novo olhar.
Dizem que a escrita revela tudo aquilo que sentimos.Eu digo que apenas revela parte de mim, porque a outra, ainda nem eu a descobri, mas sei que existe, algures. O meu texto dá voltas, fix--se em todos os pontos, sem se centrar num único aspecto, porque a vida não é, nem pode ser simplista. O teclado, afinal é lento, o corpo só quer dançaqr, a mente só quer descansar.
tu que vagueias por aí, sem nunca te esqueceres, entras em casa porque te dei a chave que nunca te pertenceu, que me impedes de romantizar a vida, porque ela é negra e preversa, que vasculhas no meu frigorífico e nas minha s torrradas, cura para a tua fome de amor, tu que me queres na cama a recitar poemas e a cantar uma música qualquer Nelly Furtado, tu que me levas a passear e me fazes esquecer que o vento corta a minha mão, tu que não tens vergonha de seres o que és, apenas porque eu sou o que posso ser. Tu que te preocupas e me ofereces protecção para todas as doenças, ou quase todas e em buscas em todas as caras um novo TU!
Sim, tu que me ajudas, que me dizes quando erro, e por vezes quando acerto, que me trazes presentes do Brasil e me deixas sozinho numa dessas noites da queima e fazes com que leve tesouradas apenas por olhar para ti. Tu que estás aqui e aqui ficarás, nunca me percas, porque eu nunca te perdi e jamais o conseguirei fazer.*
Wednesday, May 12, 2004
Sombra
N percebo. Não percebo porque é que não consegui ser sincero com estas pessoas que me estenderam a mão, que mostraram ao meu lado, independentemente do que acontecesse, independentemente do que alguem dissesse, independentemente do que eu fizesse.
Pequeno, frágil, triste é assim que me sinto, porque são tantas a svezes em que sou mal interpretado, em que as pessoas me julgam porque me rio e choro ao mesmo tempo, porque sinto a vida a fugir-me, a correr mais depressa do que eu e tenho medo de ficar sozinho...Por isso rodeio-me do máximo de gente possível, para tentar esquecer que não consegui amar, quem já me teve, nos braços, na alma, no ser.
O estômago dá voltas, peço para que a música não acabe já, porque eu tenho de continuar embriagdao neste sentimento que me faz querer ser mais do que eu, que me impede que salte do 12 andar e acabe com este sofrimento que tantas vezes a vida me provoca.
Que sou fraco, que sou sensível, que sou o que toda a gente quiser, mas porquê de me tentarem por rótulos, de me julgarem, de me tentarem diminuir?
Luto contra isto todos os dias da minha vida e em todos os eles, salvo raras excepções, vejo-me a falhar. Que fado, porque me parece tudo tão cinzento, quando o sol brilha lá fora?Não quero ir treinar, não enfrentar ninguém, não quero ter de ser como toda a gente, não quero deixar de cantar todas as manhãs, não quero ter de gostar de quem não gosto e do que não gosto.
Achava que já tinha ultrapassado tudo, que tinha vencido esta batalha que tanto se advinha, que tanto me arrasa, mas volta sempre ao início.
Quantas vezes terei de passar por cima dos outros e de mim mesmo?Quantas vezes vou acordar sozinho sem ninguém que me abrace e me diga que vai correr tudo bem?
Afinal porque choro? Por continuo a ser eu? Afinal porque vivo? Não quero perguntas, quero apenas sentir este vazio, que de tantas vezes me acompanhar, se tornou na minha sombra...E sempre que tento fazer alguma coisa bem, algo corre mal e sempre que tento sorrir alguém me deita abaixo e sempre que tento amar, alguém foge. Vou fugir também
N percebo. Não percebo porque é que não consegui ser sincero com estas pessoas que me estenderam a mão, que mostraram ao meu lado, independentemente do que acontecesse, independentemente do que alguem dissesse, independentemente do que eu fizesse.
Pequeno, frágil, triste é assim que me sinto, porque são tantas a svezes em que sou mal interpretado, em que as pessoas me julgam porque me rio e choro ao mesmo tempo, porque sinto a vida a fugir-me, a correr mais depressa do que eu e tenho medo de ficar sozinho...Por isso rodeio-me do máximo de gente possível, para tentar esquecer que não consegui amar, quem já me teve, nos braços, na alma, no ser.
O estômago dá voltas, peço para que a música não acabe já, porque eu tenho de continuar embriagdao neste sentimento que me faz querer ser mais do que eu, que me impede que salte do 12 andar e acabe com este sofrimento que tantas vezes a vida me provoca.
Que sou fraco, que sou sensível, que sou o que toda a gente quiser, mas porquê de me tentarem por rótulos, de me julgarem, de me tentarem diminuir?
Luto contra isto todos os dias da minha vida e em todos os eles, salvo raras excepções, vejo-me a falhar. Que fado, porque me parece tudo tão cinzento, quando o sol brilha lá fora?Não quero ir treinar, não enfrentar ninguém, não quero ter de ser como toda a gente, não quero deixar de cantar todas as manhãs, não quero ter de gostar de quem não gosto e do que não gosto.
Achava que já tinha ultrapassado tudo, que tinha vencido esta batalha que tanto se advinha, que tanto me arrasa, mas volta sempre ao início.
Quantas vezes terei de passar por cima dos outros e de mim mesmo?Quantas vezes vou acordar sozinho sem ninguém que me abrace e me diga que vai correr tudo bem?
Afinal porque choro? Por continuo a ser eu? Afinal porque vivo? Não quero perguntas, quero apenas sentir este vazio, que de tantas vezes me acompanhar, se tornou na minha sombra...E sempre que tento fazer alguma coisa bem, algo corre mal e sempre que tento sorrir alguém me deita abaixo e sempre que tento amar, alguém foge. Vou fugir também
Sunday, May 09, 2004
A conta já chegou e com ela as perguntas, castigos e problemas. Já nem me lembrava que tinha passado horas ao telefone contigo, afinal a base da nossa relação. Será sempre assim? Depois desta semana cheia de altos e baixos, de alcóol verdadeiro, de amigos reecontrados e alguns confirmados dou por mim a pensar em ti. A minha pergunta será válida?O facto de me ter esquecido de ti durante este tempo em que os Toranja me embalaram e os Xutos e Pontapés me fizeram saltar, faz-me rever tudo. A verdade é que o sentimneto diminuiu, porque eu não te tive ao meu lado quando precisei, porque tu elaboras equações acerca da minha pessoa, quando já devias conhecer a minha alma e a verdade também, é que isto magoa. A mim, a ti, a nós.
terá muito a pouco a ver com a pressão que senti por parte de antigas e novas pessoas, tem a ver com o medo de n conseguir dar aquilo que fazes por merecer e que é justo teres.
Quero que voltes, amanhã, hoje, agora. Quero voltar a sentir o teu xeiro, a sentir o teu olhar sobre o meu, a deixar me levar pela tua voz, pelas tuas mãos, pela tua boca...Quero voltar a sentir aquilo que senti e que acredito que ainda posso voltar a sentir, porque ainda bate alguma coisa cá dentro, não tão forte, não tão apaixonada, não tao feliz, mas alguma coisa. Podemos voltar a sentir o que ainda não vivemos?Na altura em que te propûs aquilo que tu querias viver, fui honesto encoberto por aquele sentimento que nos ligava.Agora, não sei o que te dizer, não sei o que hei-de viver, sei apenas é que espero por ti, para pôr à prova toda aquela magia que espero não se ter perdido...
Vais ficar triste, mas eu já estou o suficiente por nós. Porque sei que fizeste tudo que podias, mas também sei que tinha de ser sincero, agora que a euforia da festa que elevou a minha vida levantou, para que eu conseguisse rever a luz que ocasionalmente me deixa ler o passado.Vamos ser futuro?
Sinto-me tão pequeno, fraco, frustrado, impotente, porque te deixei ir, porque não te agarrei e obriguei a ficar...
Espero que te consiga reaver quando voltares, se ainda tiveres disposto a isso, se eu ainda tiver disposto a isso, se nós ainda tivermos dispostos a isso.
terá muito a pouco a ver com a pressão que senti por parte de antigas e novas pessoas, tem a ver com o medo de n conseguir dar aquilo que fazes por merecer e que é justo teres.
Quero que voltes, amanhã, hoje, agora. Quero voltar a sentir o teu xeiro, a sentir o teu olhar sobre o meu, a deixar me levar pela tua voz, pelas tuas mãos, pela tua boca...Quero voltar a sentir aquilo que senti e que acredito que ainda posso voltar a sentir, porque ainda bate alguma coisa cá dentro, não tão forte, não tão apaixonada, não tao feliz, mas alguma coisa. Podemos voltar a sentir o que ainda não vivemos?Na altura em que te propûs aquilo que tu querias viver, fui honesto encoberto por aquele sentimento que nos ligava.Agora, não sei o que te dizer, não sei o que hei-de viver, sei apenas é que espero por ti, para pôr à prova toda aquela magia que espero não se ter perdido...
Vais ficar triste, mas eu já estou o suficiente por nós. Porque sei que fizeste tudo que podias, mas também sei que tinha de ser sincero, agora que a euforia da festa que elevou a minha vida levantou, para que eu conseguisse rever a luz que ocasionalmente me deixa ler o passado.Vamos ser futuro?
Sinto-me tão pequeno, fraco, frustrado, impotente, porque te deixei ir, porque não te agarrei e obriguei a ficar...
Espero que te consiga reaver quando voltares, se ainda tiveres disposto a isso, se eu ainda tiver disposto a isso, se nós ainda tivermos dispostos a isso.
Friday, April 23, 2004
É incrível como as pessoas se enganam, umas em relação às outras. E quando nos damos conta e finalmente acordamos para a realidade que esteve escondida apenas porque tinhamos os olhos fechados, constatamos que nada é como sempre haviamos pintado, ou sequer sonhado.
De vez em quando faço coisas das quais me arrependo, viro-me e não vejo a luz que ocasionalmente me guia, tento apagar o mal feito, olho para a pessoa que acorda ao meu lado e não sei quem é, de onde veio ou qual é a cor que mais gosta de usar, quando veste a camisola, uma qualquer. E fujo, porque parte de mim fica ali comigo, porque só acordo quando realmente me sinto magoado o suficiente para dizer para mim próprio "Acabou, tudo o que puder advir daqui, só será pior".
O problema é um e concentra-se todo no facto de nós conseguirmos esquecer o passado, mas ele, de facto, nunca se esquece de nós e de repente damos de caras com ele, numa dessas discotecas que escolhem as pessoas pela cor dos sapatos e prometem diversão até não se conseguir beber mais. Acontece tudo de repente, no meio do nada e fechamos os olhos, para quando os abrirmos sabermos que ele ainda vai lá estar.
São poucas as coisas que de facto me arrependo de ter feito. Podia-me desculpar que foi fruto das circunstâncias, dos medos, do meu mal estar, do alcóol no sangue, mas não. Não me desculpo, porque sei quando errei, assim como também sei que são poucas as vezes que se erra sozinho. È como no tango, não se dança sózinho. Do que mais me arrependo contam-se as vezes em que prestei atenção a quem não merecia, daquela vez que me deixei ir, apenas porque me sentia tão no fundo que achava que mais baixo nao conseguiria ir, ou daquela vez que tentei amar alguém e ultrapassei, aos outros e a mim, que é sempre o mais difícil. Depois sou imaturo e arrogante porque sou capaz de assumir que errei e porque finalmente acordei...mas como eu já disse, só acordo quando tudo a minha volta é flácido e inanimado.
O problema das pessoas, não de todas, talvez até seja o meu, o teu e o dele, mas talvez seja o de terem tido sempre tudo aquilo que quiseram e desejaram.
Quem me conhece bem, sabe que são raras as vezes que me entrego facilmente, mas que quando isso acontece, é algo de tão real que se pode sentir, cheirar e tocar. Não se perde aquilo que não se quer ter.
De vez em quando faço coisas das quais me arrependo, viro-me e não vejo a luz que ocasionalmente me guia, tento apagar o mal feito, olho para a pessoa que acorda ao meu lado e não sei quem é, de onde veio ou qual é a cor que mais gosta de usar, quando veste a camisola, uma qualquer. E fujo, porque parte de mim fica ali comigo, porque só acordo quando realmente me sinto magoado o suficiente para dizer para mim próprio "Acabou, tudo o que puder advir daqui, só será pior".
O problema é um e concentra-se todo no facto de nós conseguirmos esquecer o passado, mas ele, de facto, nunca se esquece de nós e de repente damos de caras com ele, numa dessas discotecas que escolhem as pessoas pela cor dos sapatos e prometem diversão até não se conseguir beber mais. Acontece tudo de repente, no meio do nada e fechamos os olhos, para quando os abrirmos sabermos que ele ainda vai lá estar.
São poucas as coisas que de facto me arrependo de ter feito. Podia-me desculpar que foi fruto das circunstâncias, dos medos, do meu mal estar, do alcóol no sangue, mas não. Não me desculpo, porque sei quando errei, assim como também sei que são poucas as vezes que se erra sozinho. È como no tango, não se dança sózinho. Do que mais me arrependo contam-se as vezes em que prestei atenção a quem não merecia, daquela vez que me deixei ir, apenas porque me sentia tão no fundo que achava que mais baixo nao conseguiria ir, ou daquela vez que tentei amar alguém e ultrapassei, aos outros e a mim, que é sempre o mais difícil. Depois sou imaturo e arrogante porque sou capaz de assumir que errei e porque finalmente acordei...mas como eu já disse, só acordo quando tudo a minha volta é flácido e inanimado.
O problema das pessoas, não de todas, talvez até seja o meu, o teu e o dele, mas talvez seja o de terem tido sempre tudo aquilo que quiseram e desejaram.
Quem me conhece bem, sabe que são raras as vezes que me entrego facilmente, mas que quando isso acontece, é algo de tão real que se pode sentir, cheirar e tocar. Não se perde aquilo que não se quer ter.
Monday, April 19, 2004
E eu só queria que voltasses para trás e abraçar-te para sempre, dizer-te que não voltasses para esse país escuro e sem cor, onde as pessoas são tudo menos o que parecem ser e quem as governa vive no outro lado do Oceano. No fundo, tenho medo de te perder e de me perder de ti, de não aproveitar todos os momentos breves e tal vez por isso sublimes, para te dizer o quanto já gosto de ti, embora não conheça todos os cantos do teu pensamento nem o ritmo da tua alma.
E fico assim, perdido na imagem que criei de ti, nos momentos que nunca passamos e nos pensamentos que ainda haviamos de criar...vou-me agarrar aos textos que dizem mais do que muitas palavras, apenas porque não esperam nada de mim e incompreensivelmente, isso traz-me algum conforto.
Quanto tempo vou estar sem a tua presença? Quantos dias o sol não vais mais brilhar, quantos dias não irei continuar agarrado à ilusão que desenhei para nós? Estou perfeitamente consciente que nunca irias ser tudo o que eu queria que fosses, mas torna-me fraco a ideia de que chegava tudo o que és e não vais estar aqui para partilhares comigo esse teu mundo, que haveria de ser também, meu.
Às vezes dá-me medo achar que te encontrei e depois olho para o nosso passado e vejo que ele não existe, reparo no prsente e já me passou ao lado e quanto ao futuro, será que ele aquenta?Será que eu aguento?Será que tu aguentas?Mas eu só queria que nos aguentassemos.
I don´t know about tomorrow, but today i m no longuer lost in translation. I´m lost in that moment, where everything was far away to be perfect, but where i was safe from harm, just because i was holding your soul in my hand. I believe it was a moment in time, i believe i will never forget it, i believe i don´t want to forget you.
"Then i see you standing there wanting more from me, and all i can do is Try"
I will Try.
E fico assim, perdido na imagem que criei de ti, nos momentos que nunca passamos e nos pensamentos que ainda haviamos de criar...vou-me agarrar aos textos que dizem mais do que muitas palavras, apenas porque não esperam nada de mim e incompreensivelmente, isso traz-me algum conforto.
Quanto tempo vou estar sem a tua presença? Quantos dias o sol não vais mais brilhar, quantos dias não irei continuar agarrado à ilusão que desenhei para nós? Estou perfeitamente consciente que nunca irias ser tudo o que eu queria que fosses, mas torna-me fraco a ideia de que chegava tudo o que és e não vais estar aqui para partilhares comigo esse teu mundo, que haveria de ser também, meu.
Às vezes dá-me medo achar que te encontrei e depois olho para o nosso passado e vejo que ele não existe, reparo no prsente e já me passou ao lado e quanto ao futuro, será que ele aquenta?Será que eu aguento?Será que tu aguentas?Mas eu só queria que nos aguentassemos.
I don´t know about tomorrow, but today i m no longuer lost in translation. I´m lost in that moment, where everything was far away to be perfect, but where i was safe from harm, just because i was holding your soul in my hand. I believe it was a moment in time, i believe i will never forget it, i believe i don´t want to forget you.
"Then i see you standing there wanting more from me, and all i can do is Try"
I will Try.
Sunday, April 18, 2004
Eu já não sou eu. É sempre assim, nestes dias de inspiração apagada. Tento dizer o que me vai na alma, mas a única coisa que trago cá para fora é o enorme vazio que nela habita. São noites frias em que só me apetece ser aconchegado por um olhar que me levasse para o país da Paz, onde não seria mais tormentado por guerras e ódios que até hoje, não sei bem onde começaram.
Faz-me mal o estado do mundo. Faz-me mal o estado do país. Faz-me mal a falta de atanção que a música portuguesa recebe das rádios e afins, faz-me mal o estado da televisão portuguesa onde se cultiva o culto da humilhação e a falta de amor prórprio, faz-me mal estares longe, sem que eu consiga sentir a tua respiração por 5 segundos, faz-me mal não sentir o calor da tua lingua ou a vontade das tuas mãos.
Afinal, porque é que não estás ao meu lado? Porque não te encontro numa dessas ruas sujas e gastas da Ribeira, ou mesmo a passear à beira-mar na Foz?Porque me foges, porque me escapas quando já tinha feito contas que te tinha apanhado nas minhas teias de subtração?
É meia-noite e ainda não chegas-te, será que chegas?
Faz-me mal o estado do mundo. Faz-me mal o estado do país. Faz-me mal a falta de atanção que a música portuguesa recebe das rádios e afins, faz-me mal o estado da televisão portuguesa onde se cultiva o culto da humilhação e a falta de amor prórprio, faz-me mal estares longe, sem que eu consiga sentir a tua respiração por 5 segundos, faz-me mal não sentir o calor da tua lingua ou a vontade das tuas mãos.
Afinal, porque é que não estás ao meu lado? Porque não te encontro numa dessas ruas sujas e gastas da Ribeira, ou mesmo a passear à beira-mar na Foz?Porque me foges, porque me escapas quando já tinha feito contas que te tinha apanhado nas minhas teias de subtração?
É meia-noite e ainda não chegas-te, será que chegas?
Monday, April 12, 2004
Tempos houve em que tinha fé. Em que a viagem da minha consciência até lugares divinos e mais ao menos inalcancáveis, era curta e rápida. COm o passar do tempo, com o passar dos anos, com o passar das experiências e vivências, a minha fé foi-se desgastando. Aprendi que a religião que seguia e acreditava, apoiava-se em bases pouco sólidas, que era descriminatória, contraditória, egoísta e lenta.
Durante anos a fio perseguiu centenas de gente, inventou guerras e mortes e conquistou meio mundo, com palavras inocentes e fingidas. Como é possível ainda haver gente que tem fé é coisa de admirar, principalmente fé numa igreja que não apoia os contraceptivos, que ficou agarrada às mais variadas memórias e descrimina aqueles que não conseguem ser iguais a todos, apenas porque são diferentes.
Ontem eu perdi toda e qualquer ponta de fé que poderia ainda concentrar em mim. A minha utopia, a minha ilusão desabou. Ontem percebi finalmente que o mundo nunca irá rodar para o mesmo lado, que a guerra fará invariavelmente parte da nossa constante história, independentemente dos avanços da nossa civilização e sociedade. A verdade é que não conseguimos conviver e vi ontem a prova fixa e real da minha afirmação. As duas pessoas que mais estimo neste mundo, sangue do meu sangue, vivem divididas por entre ódios e desamores, antigos e recentes, procurando na infelicidade da outra a resposta para a sua vida e quando procuram demasiado, encontram-se, chocam e explodem.
São sangue do meu sangue, lágrima da minha lágrima, mundo do meu mundo. São pessoas que me amam, mas não encontraram ou perderam a maneira de exprimirem o amor que sentem uma pela outra. Que fé posso eu depositar no governo americano e iraquiano pela paz no mundo, se duas pessoas que gostam, sentem e partilham toda uma corrente de vivências não o conseguem? E que fazer quando se está no meio? Apetece fugir, correr e nunca mais aparecer, porque é dura a realidade de que o mundo nunca vai ser o local mágico e seguro que sempre sonhamos, mas doi mais quando concluímos que dentro do nosso seio familiar, onde tudo deveria ser mais fácil, essa paz também não existe.
Não sei bem quando começou isto tudo, mas há já muito que me encontro entre a desunião das pessoas que me estão próximas, ouvindo parte a parte, fazendo tudo o que mé possível para voltar ajuntar peças de um puzzle que se desencaixaram, mas que se fazer quando perdoar se torna difícil? Aprendi que Jesus perdoou, então porque não nos deu coragem para isso?Aprendi que Jesus amou, então porque não nos deu coração suficientemente grande para tal?Aprendi que o mais pequeno Homem era capaz de mudar o curso da história, então porque é que ninguém nos dá ouvidos?
Um amigo próximo dizia-me que não acredita em Deus porque nunca o sentiu. A verdade é que eu nunca senti fervura da neve na minha cara e sei que ela existe, algures. Não acredito, nem deixo de acreditar, apenas me desviei completamente desse tema, hoje e agora. Tal como mencionava Descartes,"só existem duas coisas que não devem ser postas em causa", uma delas seria Deus.
Eu deixei de o pôr em causa, para o pôr de parte, não porque de todas as vezes que lhe pedi ajuda ele não me ajudou, não porque nunca se mostrou, apenas porque me queimou os olhos com uma verdade tão dura e tão pouco evidente, que nunca mais serei capaz de olhar o mundo com os ohos de uma criança, que já não sou, mas tantas vezes sonho em voltar a ser.
Durante anos a fio perseguiu centenas de gente, inventou guerras e mortes e conquistou meio mundo, com palavras inocentes e fingidas. Como é possível ainda haver gente que tem fé é coisa de admirar, principalmente fé numa igreja que não apoia os contraceptivos, que ficou agarrada às mais variadas memórias e descrimina aqueles que não conseguem ser iguais a todos, apenas porque são diferentes.
Ontem eu perdi toda e qualquer ponta de fé que poderia ainda concentrar em mim. A minha utopia, a minha ilusão desabou. Ontem percebi finalmente que o mundo nunca irá rodar para o mesmo lado, que a guerra fará invariavelmente parte da nossa constante história, independentemente dos avanços da nossa civilização e sociedade. A verdade é que não conseguimos conviver e vi ontem a prova fixa e real da minha afirmação. As duas pessoas que mais estimo neste mundo, sangue do meu sangue, vivem divididas por entre ódios e desamores, antigos e recentes, procurando na infelicidade da outra a resposta para a sua vida e quando procuram demasiado, encontram-se, chocam e explodem.
São sangue do meu sangue, lágrima da minha lágrima, mundo do meu mundo. São pessoas que me amam, mas não encontraram ou perderam a maneira de exprimirem o amor que sentem uma pela outra. Que fé posso eu depositar no governo americano e iraquiano pela paz no mundo, se duas pessoas que gostam, sentem e partilham toda uma corrente de vivências não o conseguem? E que fazer quando se está no meio? Apetece fugir, correr e nunca mais aparecer, porque é dura a realidade de que o mundo nunca vai ser o local mágico e seguro que sempre sonhamos, mas doi mais quando concluímos que dentro do nosso seio familiar, onde tudo deveria ser mais fácil, essa paz também não existe.
Não sei bem quando começou isto tudo, mas há já muito que me encontro entre a desunião das pessoas que me estão próximas, ouvindo parte a parte, fazendo tudo o que mé possível para voltar ajuntar peças de um puzzle que se desencaixaram, mas que se fazer quando perdoar se torna difícil? Aprendi que Jesus perdoou, então porque não nos deu coragem para isso?Aprendi que Jesus amou, então porque não nos deu coração suficientemente grande para tal?Aprendi que o mais pequeno Homem era capaz de mudar o curso da história, então porque é que ninguém nos dá ouvidos?
Um amigo próximo dizia-me que não acredita em Deus porque nunca o sentiu. A verdade é que eu nunca senti fervura da neve na minha cara e sei que ela existe, algures. Não acredito, nem deixo de acreditar, apenas me desviei completamente desse tema, hoje e agora. Tal como mencionava Descartes,"só existem duas coisas que não devem ser postas em causa", uma delas seria Deus.
Eu deixei de o pôr em causa, para o pôr de parte, não porque de todas as vezes que lhe pedi ajuda ele não me ajudou, não porque nunca se mostrou, apenas porque me queimou os olhos com uma verdade tão dura e tão pouco evidente, que nunca mais serei capaz de olhar o mundo com os ohos de uma criança, que já não sou, mas tantas vezes sonho em voltar a ser.
Thursday, April 08, 2004
Piii, 07:00 Horas e o despertador a ordenar que Evaristo se levantasse da cama. Tem vinte anos, mãos calejadas pelo trabalho que a vida lhe foi proporcionando e rugas de alguém com pelo menos mais dez anos, fruto de dois filhos que achavam que a melhor maneira de combater a dor de ouvidos era gritarem o mais alto possível.
Evaristo abre os olhos e volta-os a fechar. "Merda de vida, pra quê acordar?", pensa para si próprio. Longe iam os tempos em que a sua vida se fundia e confundia entre a realidade e o sonho, em que a vida não era mais do que um jogo de berlindes ou uma noite bem passada na folia bairrista do Santo António.
Casara-se novo, para fugir a um trabalho de escravo, mas depressa se apercebeu que era apenas mudança de patrão.
Voltou a abrir os olhos e viu a mulher com quem se casara. Fora tão depressa que ainda não tivera tempo para a conhecer. Vigiou-a durante alguns segundos a dormir o seu quinto sono devido à licença de pós-parto. Levantou-se, vestiu a farda do restaurante onde fazia quase tudo, passou pelo quarto das duas coisas que mais amava neste mundo e que procurava cuidar como nunca o tinham criado; empregou toda a sua ternura num beijo paterno e dirigiu-se para o emprego.
"Despacha-te que tens muito trabalho", lembrava-lhe o supervisor, quelhe fazia vir à memória o seu patrão de infância que muito lhe exigia e pouco lhe pagava.
Os dias de Evaristo eram muito semelhantes. Cumpria com aquilo que lhe era exigido, para no dia seguinte acordar para a mesma realidade. Deixara de sonhar, deixara de colher flores ou de escrever cartas imaginárias à sua mãe. Deixara de ser resignado, deixara de ser inocente, deixara de ser tudo para conseguir ser aquilo que sonha que devia ser, um bom chefe de família.
Mas tudo isto desapareceu para bem longe quando ela entrou. O dia era feio e cinzento, daqueles em que não apetece sair de casa, mas tudo lhe pareceu mais luminoso quando ela entrou, tudo lhe sorriu, tudo fez sentido e deixou de ouvir o resto dos clientes ou o patrão que muitas vezes parecia não ter coração para se centrar naquela mulher.
De repente parecia a mesma criança ingénua que ficava fascinada com tudo o que a cidade lhe oferecia. Ficou fascinado com o que ela fazia e pela energia que roubava a tudo o que era ser humano à sua volta. Sentiu-se fascinado pela forma como pediu um simples "cachorro especial à moda da casa", mas principalmente pela mala igual (sera mesmo?) à que a sua mãe sempre usara e por uns olhos azuis, profundos como o mar e sentiu-se ali memso a afundar e esperou nunca mais acordar. Foi amor instântaneo, daqueles próprios de novela mexicana, sentindo-se ainda mais encorajado pelo facto de ela vir sozinha.
Não compreendia bem o porquê daquele sentimento, mas que tinha a ver com a forma como olhava tudo à sua volta, tinha. Lembrava-lhe a mãe, dotada de um olhar vazio que nunca se perdia e o facto de ter uma carteira "Jean- Paul Gautier" falsificada, igual à da sua mãe, ainda intensificava mais esta proximidade.
A vida de Evaristo começou a fzer sentido. Já não era o despertador que o acordava, mas sim a rotina, na esperança de a voltar a ver. Continuou a amar os filhos, mas passou a ouvir a mulher apenas quando esta ressonava como se de um camião se tratasse. Ao seu lado Evaristo sonhava em tocar aquela mulher, em tê-la para si e só para si. Quando acordava sentia os seus dedos a tocar a luz da manhã como se da primeira vez se tratasse. "Eu estou vivo", afirmava. E de facto estava.
O seu objecto de fascínio voltava várias vezes ao restaurante e todas as vezes Evaristo respirava um novo ar e parecia ter, realmente, vinte anos.
Voltou a sonhar, a viver por entre as pequenas alegrias da vida e das flores que desenhava no seu coração, para mais tarde, em sonhos, as entregar.
Voltou a desenhar na sua imaginação cartas à mãe e voltou a sentir a sua presença e todas as vezes que via os olhos do seu objecto de fascínio, apaixonava-se novamente e sussurrava à mãe o quanto sentia, ainda, a sua falta.
Viveu o resto de alguns anos novamente entre o sonho e a realidade, onde não há limites, fronteiras e netre a saudade que sentia da mãe e o desejo carnal e profundo que sentia por aquela mulher que o fez acordar.
Nunca a conheceu, nunca soube se ela gostava das piadas do Raul Solnado, de passear no Chiado ou deixar milho às pombas que habitavam a cidade, mas também nunca passou a saudade que sentia da mãe para o mundo real. Decidiu, enfim, viver entre a memória da mãe e na ilusão que aquela mulher concentrava em si o reflexo de tudo aquilo que nunca havia tido, aquela mulher, afinal, era razão do seu acordar.
Evaristo abre os olhos e volta-os a fechar. "Merda de vida, pra quê acordar?", pensa para si próprio. Longe iam os tempos em que a sua vida se fundia e confundia entre a realidade e o sonho, em que a vida não era mais do que um jogo de berlindes ou uma noite bem passada na folia bairrista do Santo António.
Casara-se novo, para fugir a um trabalho de escravo, mas depressa se apercebeu que era apenas mudança de patrão.
Voltou a abrir os olhos e viu a mulher com quem se casara. Fora tão depressa que ainda não tivera tempo para a conhecer. Vigiou-a durante alguns segundos a dormir o seu quinto sono devido à licença de pós-parto. Levantou-se, vestiu a farda do restaurante onde fazia quase tudo, passou pelo quarto das duas coisas que mais amava neste mundo e que procurava cuidar como nunca o tinham criado; empregou toda a sua ternura num beijo paterno e dirigiu-se para o emprego.
"Despacha-te que tens muito trabalho", lembrava-lhe o supervisor, quelhe fazia vir à memória o seu patrão de infância que muito lhe exigia e pouco lhe pagava.
Os dias de Evaristo eram muito semelhantes. Cumpria com aquilo que lhe era exigido, para no dia seguinte acordar para a mesma realidade. Deixara de sonhar, deixara de colher flores ou de escrever cartas imaginárias à sua mãe. Deixara de ser resignado, deixara de ser inocente, deixara de ser tudo para conseguir ser aquilo que sonha que devia ser, um bom chefe de família.
Mas tudo isto desapareceu para bem longe quando ela entrou. O dia era feio e cinzento, daqueles em que não apetece sair de casa, mas tudo lhe pareceu mais luminoso quando ela entrou, tudo lhe sorriu, tudo fez sentido e deixou de ouvir o resto dos clientes ou o patrão que muitas vezes parecia não ter coração para se centrar naquela mulher.
De repente parecia a mesma criança ingénua que ficava fascinada com tudo o que a cidade lhe oferecia. Ficou fascinado com o que ela fazia e pela energia que roubava a tudo o que era ser humano à sua volta. Sentiu-se fascinado pela forma como pediu um simples "cachorro especial à moda da casa", mas principalmente pela mala igual (sera mesmo?) à que a sua mãe sempre usara e por uns olhos azuis, profundos como o mar e sentiu-se ali memso a afundar e esperou nunca mais acordar. Foi amor instântaneo, daqueles próprios de novela mexicana, sentindo-se ainda mais encorajado pelo facto de ela vir sozinha.
Não compreendia bem o porquê daquele sentimento, mas que tinha a ver com a forma como olhava tudo à sua volta, tinha. Lembrava-lhe a mãe, dotada de um olhar vazio que nunca se perdia e o facto de ter uma carteira "Jean- Paul Gautier" falsificada, igual à da sua mãe, ainda intensificava mais esta proximidade.
A vida de Evaristo começou a fzer sentido. Já não era o despertador que o acordava, mas sim a rotina, na esperança de a voltar a ver. Continuou a amar os filhos, mas passou a ouvir a mulher apenas quando esta ressonava como se de um camião se tratasse. Ao seu lado Evaristo sonhava em tocar aquela mulher, em tê-la para si e só para si. Quando acordava sentia os seus dedos a tocar a luz da manhã como se da primeira vez se tratasse. "Eu estou vivo", afirmava. E de facto estava.
O seu objecto de fascínio voltava várias vezes ao restaurante e todas as vezes Evaristo respirava um novo ar e parecia ter, realmente, vinte anos.
Voltou a sonhar, a viver por entre as pequenas alegrias da vida e das flores que desenhava no seu coração, para mais tarde, em sonhos, as entregar.
Voltou a desenhar na sua imaginação cartas à mãe e voltou a sentir a sua presença e todas as vezes que via os olhos do seu objecto de fascínio, apaixonava-se novamente e sussurrava à mãe o quanto sentia, ainda, a sua falta.
Viveu o resto de alguns anos novamente entre o sonho e a realidade, onde não há limites, fronteiras e netre a saudade que sentia da mãe e o desejo carnal e profundo que sentia por aquela mulher que o fez acordar.
Nunca a conheceu, nunca soube se ela gostava das piadas do Raul Solnado, de passear no Chiado ou deixar milho às pombas que habitavam a cidade, mas também nunca passou a saudade que sentia da mãe para o mundo real. Decidiu, enfim, viver entre a memória da mãe e na ilusão que aquela mulher concentrava em si o reflexo de tudo aquilo que nunca havia tido, aquela mulher, afinal, era razão do seu acordar.
Sunday, April 04, 2004
Acordo e não te vejo. Onde tás afinal?, ser surpreendente que lê nas entrelinhas da minha alma e redescobre o verdadeiro "eu" , muito de vez em quando.
Penso em ir ter contigo, sentir-te o xeiro e tentar olhar-te nos olhos a fim de descobrir o que me podes trazer de novo, como se já não tivesses trazido.
Não sei o que se passa, ou talvez saiba e não queira saber, como se o conhecimento me fosse trazer algo de revolucionário, magnético do qual eu não me conseguiria libertar e ficaria completamente dependente dele.
Pensar que passo por tudo novamente, que me volto a mergulhar por entre as paredes da ilusão a fim de com isso ganhar alguma paixão.
Sei onde estás, conheço-te a voz e a escrita, como se a vida pudesse ser descrita ou facilmente lida. Mas eu conservo-te dentro de mim, assim imortal e irreal, nos confins da minha alucinação, para que tu voes por entre a minha imaginação. Dá-me inspiração, dá-me sol, dá-me conforto, dá-me paz. Dá-me aquilo que eu preciso e aquilo que tu me puderes dar, porque o mundo nem sempre gira para o lado que nós queremos e eu nem sempre vou estar disponível para amar, como agora.
Penso em ir ter contigo, sentir-te o xeiro e tentar olhar-te nos olhos a fim de descobrir o que me podes trazer de novo, como se já não tivesses trazido.
Não sei o que se passa, ou talvez saiba e não queira saber, como se o conhecimento me fosse trazer algo de revolucionário, magnético do qual eu não me conseguiria libertar e ficaria completamente dependente dele.
Pensar que passo por tudo novamente, que me volto a mergulhar por entre as paredes da ilusão a fim de com isso ganhar alguma paixão.
Sei onde estás, conheço-te a voz e a escrita, como se a vida pudesse ser descrita ou facilmente lida. Mas eu conservo-te dentro de mim, assim imortal e irreal, nos confins da minha alucinação, para que tu voes por entre a minha imaginação. Dá-me inspiração, dá-me sol, dá-me conforto, dá-me paz. Dá-me aquilo que eu preciso e aquilo que tu me puderes dar, porque o mundo nem sempre gira para o lado que nós queremos e eu nem sempre vou estar disponível para amar, como agora.
Monday, March 29, 2004
Não te tenho, nem nunca te tive. Vivo neste medo de alguma vez te poder tocar e não gostar, de provar da essência da tua existência e ficar viciado, como se fica a tudo que não se tem portecção e se desconhece. Vives nas minhas noites, em que digo pouco daquilo que gostava de dizer, em que procuro me expôr o mínimo possível para que a ilusão permaneça, enfim, entre a nossa relação.
És o meu escape da vida fútil, és o meu peoma melancólico, és o meu sentimento dinâmico que se reconstroi e multiplica a cada palavra tua. Ès a mensagem que espero receber, és a pessoa que me faz esquecer, aqui e agora que sou metade daquilo que posso ser e mostro apenas aquilo que os outros não querem ver.
Para quê procurar-te, para que amar-te se não existes, não permaneces em mim, não respiras, não amas, não me magoas.
Em vez disso, conto-te os dilemas em que me envolvo e as pessoas que me persseguem. Falo-te de mim com abertura, mas com protecção exaustiva, afinal não te conheço o cheiro, não te conheço a voz, nem os dedos que imagino serem belos.
Perco-me entre as muralhas do que é arriscado dizer e aquilo que já disse a algumas pessoas que depois, e assim é o amor, se tornaram descrentes e provaram não serem capazes de lidar com os sentimentos que circundam a vida, nem de lutarem por aquilo que queriam, se é que alguma vez quiseram alguma coisa. Fracas de espírito, fracas de alma, fracas de sentimentos e honestidade que vivem para sugar a energia que as envolve como se o mundo tivesse sido criado para não lhes resistir. Fraco de mim, que também eu secumbi e me deixei levar por uma corrente de sentimentos, acções e objectos que nem eu sei muito bem onde os fui procurar.
Anseio por aquele momento em que serei livre, em que seremos todos livres, de tudo e porque não, de todos. Que se lixem os erros ortográficos, que se lixe est emeu sentimento por ti, que suspeito ser de difícil compreensão. Que se lixem todos aqueles que vivem por verem a vida dos outros, inúteis que nunca hão-de contemplar as cores da vida ou beber a alegria que é respirar.
Por isso procura-me. Vem ao meu encontro, de noite de dia, a qualquer hora, em qualquer lugar, eu vou estar lá, para sempre, até quando me for possível e o meu corpo não resistir à saudade de não te ter. Não tenho expectativas, não tenho lembranças, não tenho fotografias, mas tenho palavras, caras e baratas como se o diccionário tivesse sido dividido, como se o mundo fosse partilhado.
Dá-me a tua mão, respira o ar do dia, faz-me acreditar que eu sou alguém que tem a opurtunidade de se elevar por entre o sonho e eu levo-te comigo, por debaixo do meu sentimento oculto pelo desconhecido, fixo e irreal. Por debaixo do meu olhar.
És o meu escape da vida fútil, és o meu peoma melancólico, és o meu sentimento dinâmico que se reconstroi e multiplica a cada palavra tua. Ès a mensagem que espero receber, és a pessoa que me faz esquecer, aqui e agora que sou metade daquilo que posso ser e mostro apenas aquilo que os outros não querem ver.
Para quê procurar-te, para que amar-te se não existes, não permaneces em mim, não respiras, não amas, não me magoas.
Em vez disso, conto-te os dilemas em que me envolvo e as pessoas que me persseguem. Falo-te de mim com abertura, mas com protecção exaustiva, afinal não te conheço o cheiro, não te conheço a voz, nem os dedos que imagino serem belos.
Perco-me entre as muralhas do que é arriscado dizer e aquilo que já disse a algumas pessoas que depois, e assim é o amor, se tornaram descrentes e provaram não serem capazes de lidar com os sentimentos que circundam a vida, nem de lutarem por aquilo que queriam, se é que alguma vez quiseram alguma coisa. Fracas de espírito, fracas de alma, fracas de sentimentos e honestidade que vivem para sugar a energia que as envolve como se o mundo tivesse sido criado para não lhes resistir. Fraco de mim, que também eu secumbi e me deixei levar por uma corrente de sentimentos, acções e objectos que nem eu sei muito bem onde os fui procurar.
Anseio por aquele momento em que serei livre, em que seremos todos livres, de tudo e porque não, de todos. Que se lixem os erros ortográficos, que se lixe est emeu sentimento por ti, que suspeito ser de difícil compreensão. Que se lixem todos aqueles que vivem por verem a vida dos outros, inúteis que nunca hão-de contemplar as cores da vida ou beber a alegria que é respirar.
Por isso procura-me. Vem ao meu encontro, de noite de dia, a qualquer hora, em qualquer lugar, eu vou estar lá, para sempre, até quando me for possível e o meu corpo não resistir à saudade de não te ter. Não tenho expectativas, não tenho lembranças, não tenho fotografias, mas tenho palavras, caras e baratas como se o diccionário tivesse sido dividido, como se o mundo fosse partilhado.
Dá-me a tua mão, respira o ar do dia, faz-me acreditar que eu sou alguém que tem a opurtunidade de se elevar por entre o sonho e eu levo-te comigo, por debaixo do meu sentimento oculto pelo desconhecido, fixo e irreal. Por debaixo do meu olhar.
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